domingo, outubro 25, 2015

Jornal Correio da Paraíba e Jornal da Paraíba deste domingo (25)

"DEMISSIONÁRIOS" E JÁ DE OLHO NAS ELEIÇÕES: 
Secretários e dirigentes de autarquias precisam ficar atentos ao prazo para deixar o cargo... Os magistrados, defensores públicos, secretários estaduais e municipais que pretendem concorrer ao cargo de vereador em outubro do próximo ano devem sair de suas funções até 2 de abril de 2016, ou seja, seis meses anteriores à eleição, ou podem ser decretados inelegíveis, de acordo com a Lei Complementar nº 64/1990. Para disputar a prefeitura, quem exerce essas funções deve sair de seus cargos nos 4 meses anteriores ao pleito. Este prazo deverá ser observado pelo secretário estadual do Desenvolvimento e Articulação Municipal/Pacto Social, Waldson Souza (PSB), cotado para disputar a prefeitura do Conde, no Litoral Sul. Outro membro do primeiro escalão do governo que deverá deixar o cargo para concorrer a uma eleição majoritária é o superintendente do Detran, Aristeu Chaves. Ele será candidato a prefeito de Camalaú, no Cariri. Já o secretário estadual de Agricultura Familiar, Lenildo Morais (PT), deixará o governo para se candidatar a prefeito ou a vice- -prefeito de Patos. Além da Lei 64/90, a Constituição Federal também prevê a inelegibilidade. De acordo com o parágrafo 5º do artigo 14 da Carta Magna, na eleição municipal, são inelegíveis o cônjuge do prefeito e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, que pretendem concorrer na mesma cidade do chefe do Executivo. A regra também vale para quem tiver substituído o prefeito dentro dos seis meses anteriores à eleição, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. A Lei 64/90, conhecida como Lei de Inelegibilidades, foi aprovada por determinação do parágrafo 9º da Constituição Federal para proteger a probidade administrativa, a moralidade para o exercício de mandato considerada a vida pregressa do candidato e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou do abuso do exercício de fun- ção, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.
***

FRAUDES E VOTOS NA REDE DO SEGURO-DEFESO NA PB: 
Ministério investiga pagamento do 'bolsa-pesca' onde nem sequer existe açude com água... A distribuição de carteiras de pescador a pessoas que nunca teriam vivido da pesca está sendo alvo de investigação na Paraíba. Desde a criação do seguro-desemprego do pescador artesanal (seguro-defeso), em 2011, quase 31 mil pessoas foram beneficiadas com a chamada 'bolsa-pesca'. Esses pescadores foram registrados em 182 municípios, e a conta é alta, chega a R$ 187 milhões nos últimos quatro anos, só na Paraíba. O problema é que em praticamente todas as áreas, após quatro anos de seca, reservatórios e rios estão com nível zerado ou próximo disso. O seguro-defeso corresponde a um salário mínimo (atualmente, R$ 788) por mês. Em tese, faz jus ao benefício o pescador profissional artesanal que tiver na pesca sua única fonte de renda. O período do defeso na Paraíba vai do dia 1º de dezembro a 28 de fevereiro. São três meses em que está proibido, por ato do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), o exercício da pesca das espécies curimatã, piau, sardinha-de-água-doce e branquinha. O caranguejo-vermelho também não pode ser capturado em período especificado pelo Ibama. Na prática, porém, a concessão do 'bolsa pesca' tem sido bem diferente. A começar pela quantidade de municípios em que há pescadores cadastrados, já que corresponderia a 81,6% do total de cidades na Paraíba, sendo que, segundo técnicos da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa), a sardinha só é pescada em Jericó, mas como o açude está sem água, não há atividade há anos. No município, entretanto, há 530 pescadores cadastrados; e o branquinha nem sequer tem produção no Estado. Já o engenheiro da Secretaria de Estado da Pesca, Davi Capistrano, disse que o curimatã e o piau são pescados na região continental, o que não abrangeria cidades litorâneas. “Há no Estado 72 colônias de pescadores”, disse. Além disso, em pelo menos 13 municípios, os açudes em que são pescadas as espé- cies que têm o período defeso estão com níveis quase a zero de água. Em 37 cidades, o nível dos açudes monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas não passa de 10%, que, segundo Capristrano, inviabilizaria a produção. Após anos concedendo o benefício sem critérios técnicos, o Ministério da Agricultura agora está averiguando as denúncias de irregularidades e, para isso, suspendeu por 120 dias, desde o último dia 9 de outubro, a concessão do 'bolsa-pesca'. O alvo é o sistema responsável por gerar o documento básico (a Carteira de Pescador Profissional) para que ele possa requerer o benefício ao INSS. A suspeita é de que a liberação das carteiras tenha sido usada para fins eleitoreiros. Segundo o superintendente do Ministério da Pesca na Paraíba, Juscelino Miguel, durante audi- ência pública realizada na Assembleia Legislativa, no último dia 10, na gestão que o antecedeu foram confeccionadas mais de 15 mil carteiras de pescadores na Paraíba, muitas destas com suspeita de irregularidades. Apesar de entender que pode trazer prejuízos a quem de fato depende da pesca, Miguel disse que a suspensão é necessária

VÍTIMAS E TESTEMUNHAS DE CRIMES SEM PROTEÇÃO NA PB:
 Fevereiro de 2009. Noite de sábado. Rosa Holmes estava deitada quando ouviu o grito desesperado do filho mais velho, Edvan, 17 anos. No impulso, Rosa pulou da cama e correu até a janela, aflita, para entender o que se passava. Naquele instante, se sentiu impotente. Viu o filho ser morto com quatro tiros à queima- -roupa na calçada de casa, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa. A vida tranquila que Rosa levava com a famí- lia terminava naquele dia. Ao denunciar o homem que ele diz ser o assassino do filho, a dona de casa passou a receber constantes ameaças de morte. Após ser perseguida e flagrar pessoas rondando sua residência, Rosa decidiu pedir proteção, mas ficou frustrada ao saber que tal serviço não existe na Paraíba. O Programa Estadual de Proteção a Vítimas e Testemunhas (Provita), cujo objetivo é o enfrentamento à impunidade por meio da garantia da produção de prova testemunhal, através da defesa da vida dos envolvidos, não tem previsão de ser implantado no Estado, o que deixa vítimas e testemunhas entregues à própria sorte. Rosa é uma delas. A denúncia foi contra um policial militar, que teria atirado contra o jovem. O policial foi expulso da corporação em 2011. Desde que o filho foi assassinado, sua vida se transformou em um inferno. Ela enfrentou toda a burocracia possível em portas de delegacias, Fóruns e Tribunais. Depois de muita insistência, viu diante de si a possibilidade de ser incluída no Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, mas com uma condição: deixar o marido, doente de câncer, e o filho caçula para trás. “Eu teria que abandonar minha família, a proteção seria apenas para mim. Como eu poderia aceitar?”, questionou. Diante da impossibilidade de entrar no serviço, Rosa seguiu sozinha. Teve que contar com a sorte e com a fé. Chegou a ser orientada a não sair de casa, nem para ir à feira. Até o simples ato de jogar o lixo na frente de casa se tornou um risco. Três anos depois do assassinato do filho, viu o policial militar ser inocentado pelo Tribunal do Júri. Voltou para casa arrasada, decepcionada com a Justiça. “Minha sorte é porque ele permaneceu preso por outros crimes que havia cometido”, declarou. No ano passado, o telefone de Rosa tocou. Era uma amiga informando que o seu desafeto estava no regime semiaberto. As mãos ficaram trêmulas. O coração acelerou. Dia e noite, noite e dia, ele passou a fugir da morte. Chegou a deixar a Paraíba, procurando esconderijo, mas por problemas de saúde do marido, teve que voltar para a mesma casa onde presenciou a morte do filho. Meses depois o homem foi novamente preso por transgredir as regras do regime semiaberto. Rosa ficou um pouco aliviada, mas sabe que esse alívio é temporário. “Só dura enquanto ele estiver preso. Vou fugir para sempre”, frisou.

CARAS NOVAS COMANDARÃO ELEIÇÃO: 
Fortalecimento. Políticos se destacam dentro dos partidos como articuladores rumo às campanhas de 2016... Eles têm entre 24 e 36 anos e já se apresentam no cenário político paraibano como lideranças em ascensão. E é essa juventude que se apresenta como alternativa nas diversas regiões da Paraíba que devem comandar o processo eleitoral de 2016 dentro dos seus partidos e nas suas bases eleitorais. Mesmo alguns nomes sendo de famílias políticas tradicionais, as novas caras da política se apresentam com mentalidades e atuações diferentes das defendidas pelos seus pais, tios e avós que passaram, em muitos casos, pelos principais cargos nos poderes Executivo e Legislativo estadual e federal. Nas mais diversas regiões é possível observar um novo nome a frente dos partidos políticos ou atuando nos parlamentos e até mesmo nos Executivos municipais. Na Assembleia Legislativa é possível observar uma bancada de jovens, das mais diferentes regiões, com pensamentos mais atuais e Mesmo sendo herdeiros políticos, os novos atores surgem como esperança de renovação no cenário eleitoral da Paraíba. André Gomes preocupados em fazer diferente na política. Entre eles se destacam Dinaldinho Wanderley (PSDB), Camila Toscano (PSDB), Raniery Paulino (PMDB), Bruno Cunha Lima (PSDB), Tovar Correia Lima (PSDB), Jullys Roberto (PEN) e Caio Roberto (PR). Já na Câmara Federal, nomes como dos deputados Wilson Filho (PTB), Pedro Cunha Lima (PSDB), Hugo Motta (PMDB) e Efraim Filho (Democratas) ganham destaque nas atuações de suas legendas 

Lideranças também no Sertão.... 
O aparecimento desses novos atores também aparece de forma expressiva no Sertão. Na região polarizada pelo município de Princesa Isabel, dois nomes despontam como lideranças locais e que terão papel decisivo no pleito de 2016. Um deles é o da vice-prefeita Germana Diniz (PSDB) e o outro do advogado Sidney Filho (PSDB). Ambos estarão no mesmo palanque para comandar campanhas próprias ou a do ex-prefeito Doutor Sidney (PSDB) que pode concorrer à Prefeitura. Para o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e cientista político, Jaldes Menezes, é comum o surgimento de novos nomes em maior ou menor grau. Do ponto de vista político, ele relata que muitas das lideranças que surgem no País são acomodadas com o poder vigente. “Esses novos nomes estão dentro de estruturas permanentes que se renovam até mesmo para se conservar”, destacou.