Na disputa de facções pelo tráfico de drogas na região, tiroteios são rotina e já houve até 'toque de recolher... Nas ruas ermas e de difícil
acesso das comunidades do Citex, que fica no bairro do Geisel,
e da Rua do Arame, no Grotão,
em João Pessoa, os olhares das
crianças saem tímidos no portão, mas são logo seguidos pela
ordem dos adultos para que
entrem em casa. Isso acontece
porque cenas de tiroteios são
comuns nas localidades, conforme moradores que pediram
para não ser identificados. A
razão para sua recorrência é a
disputa de facções pelo tráfico
de drogas na região. Devido a
tudo isso, eles revelam que o
medo é algo com que têm que
conviver. “Para se prevenir, só
com a ajuda de Deus. E não
podemos nem falar muito,
porque fofoqueiro morre, não
é, moça?”, disse uma moradora
de uma dessas comunidades.
Acompanhada da polícia, que pede cautela para que a vida de ninguém seja posta em risco, a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA observou a fragilidade desses locais. No Citex, por exemplo, ruas estreitas impedem a passagem dos policiais, que precisam descer das viaturas e sair a pé quando é necessário realizar alguma abordagem ou perseguição pelas ruas sem calçamento e esburacadas. De dia, a situação parece tranquila, mas à noite, conforme o comandante da Unidade de Polícia Solidária (UPS) do Geisel, tenente Freitas, a falta de infra- estrutura das ruas é associada à pouca iluminação. Quem mora nessas ruas estreitas e de difícil acesso diz que não é fácil viver 'no olho do furacão'. A dona de casa Maria Silva ( fictício) é uma dessas pessoas. Residente na comunidade do Citex há 25 anos, ela diz que é preciso saber o que dizer e por onde andar para sobreviver no local. “O perigo é constante, vivemos com medo”, revelou.
Na última terça-feira, ela disse que o clima foi de terror no lo- cal, pois todos sabiam que teria tiroteio. Às vezes, os envolvidos nas facções anunciam as disputas, mas por vezes elas são de surpresa. Por conta de todos esses riscos, ela pediu demissão do seu em- prego há sete meses. Segundo ela, foi por um único motivo: medo. “Eu saía de casa muito cedo e voltava muito tarde. Não tenho confiança mais de andar por aqui tão tarde. Aqui nós somos esquecidos, honestamente a gente só tá sendo lembrado por causa desses eventos que estão acontecendo , comentou. Segundo a moradora, o último tiroteio aconteceu na última terça-feira e foi anunciado. Na escola de sua filha e em to da a comunidade, o ' toque de recolher ' colocou as famílias para dentro de suas casas. “Na terça-feira teve um tiroteio aí avisaram na escola e liberaram as turmas. É todo mundo dentro de casa, muito mal a gente vê os vizinhos. Andamos sempre com muito medo”, disse, revelando que com a presença da polícia as coisas estão mudando. “Essa semana a polícia está mais presente, era o que a gente estava precisando. Estamos ficando mais tranquilos”, garantiu.
Acompanhada da polícia, que pede cautela para que a vida de ninguém seja posta em risco, a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA observou a fragilidade desses locais. No Citex, por exemplo, ruas estreitas impedem a passagem dos policiais, que precisam descer das viaturas e sair a pé quando é necessário realizar alguma abordagem ou perseguição pelas ruas sem calçamento e esburacadas. De dia, a situação parece tranquila, mas à noite, conforme o comandante da Unidade de Polícia Solidária (UPS) do Geisel, tenente Freitas, a falta de infra- estrutura das ruas é associada à pouca iluminação. Quem mora nessas ruas estreitas e de difícil acesso diz que não é fácil viver 'no olho do furacão'. A dona de casa Maria Silva ( fictício) é uma dessas pessoas. Residente na comunidade do Citex há 25 anos, ela diz que é preciso saber o que dizer e por onde andar para sobreviver no local. “O perigo é constante, vivemos com medo”, revelou.
Na última terça-feira, ela disse que o clima foi de terror no lo- cal, pois todos sabiam que teria tiroteio. Às vezes, os envolvidos nas facções anunciam as disputas, mas por vezes elas são de surpresa. Por conta de todos esses riscos, ela pediu demissão do seu em- prego há sete meses. Segundo ela, foi por um único motivo: medo. “Eu saía de casa muito cedo e voltava muito tarde. Não tenho confiança mais de andar por aqui tão tarde. Aqui nós somos esquecidos, honestamente a gente só tá sendo lembrado por causa desses eventos que estão acontecendo , comentou. Segundo a moradora, o último tiroteio aconteceu na última terça-feira e foi anunciado. Na escola de sua filha e em to da a comunidade, o ' toque de recolher ' colocou as famílias para dentro de suas casas. “Na terça-feira teve um tiroteio aí avisaram na escola e liberaram as turmas. É todo mundo dentro de casa, muito mal a gente vê os vizinhos. Andamos sempre com muito medo”, disse, revelando que com a presença da polícia as coisas estão mudando. “Essa semana a polícia está mais presente, era o que a gente estava precisando. Estamos ficando mais tranquilos”, garantiu.
'LEI DO SILÊNCIO' AINDA IMPERA...
Na Rua do Arame, a situação não é muito diferente.
É possível percorrer de carro
parte da rua, que também
não tem infraestrutura e tem
como característica os muitos
buracos e nenhum calçamento. De manhã a rua é esquisita,
dificilmente há quem fique na
porta de sua casa. Quem fica,
pode se tornar uma vítima, segundo a aposentada Severina
Silva ( fictício). “Aqui de vez em
quando a gente vê gente com
arma na mão, sabe? O povo
que mora aqui é bom, tudo
bom vizinho, mas lá pra baixo
tem gente de toda qualidade.
A gente senta um pouco e, de
repente, vê uma pessoa cor-
rendo. Então a gente vai logo
pra dentro de casa, emburaca.
Quando pensa que não é 'pei,
pei, pei'”, relatou a aposentada.
Essa semana foram dois toques de recolher no local, onde
impera em muitas casas a 'lei
do silêncio'. Muitos moradores
acenam de longe indicando
que não querem conversar so-
bre o tema ou desconversam,
dizendo que é o melhor local
para se viver. Segundo a aposentada, que adverte sua filha
para não fazer muitos gestos
para não parecer que estão falando ou entregando alguém,
o medo é uma constante, e
o jeito é se trancar dentro de
casa. “A gente vê a polícia aqui
direto, mas quando eles dão
as costas, vêm os bandidos.
O jeito é rezar e se trancar em
casa, porque as vítimas são os
cidadãos de bem”, lamentou.
A sensação de pânico é
compartilhada por quem
mora em comunidades vizinhas, mesmo aquelas que não
se envolveram diretamente no
caso da terça-feira. “Eu trabalho o dia todo. De noite, escuto
tiros, mas ficamos sempre em
casa. O povo de bem tranca
as portas porque os bandidos
ficam soltos na rua”, disse um
morador da comunidade
Nova República
POLÍCIA DIZ QUE SITUAÇÃO ESTÁ CONTROLADA...
Reconhecendo a fragilidade dessas comunidades, a polícia sempre realiza trabalhos
focados na segurança desses
pontos, contudo, após os últimos fatos, o policiamento da
região foi reforçado. De acordo
com o comandante da UPS do
Geisel, tenente Freitas, aproximadamente 30 homens estão
empenhados no policiamento
ostensivo das comunidades do
Citex, Rua do Arame e, ainda,
Nova República. “A situação
hoje está tranquila porque a
localidade está bem policiada.
Desde terça-feira estamos intensificando nossa presença
nessas localidades”, assegurou.
A fragilidade desses locais,
conforme o comandante da
UPS do bairro, ocorre porque
lá frequentemente ocorrem
disputas de gangues rivais por
pontos de drogas ou apenas
por rixas entre elas. “Às vezes
vêm indivíduos de surpresa e
confrontam os rivais. Tivemos
recentemente duas pessoas
feridas por conta dos tiroteios.
Mas cabe ressaltar que essas
não são as únicas comunidades
em que a polícia atua, também
temos a Gauchinha, a comunidade do Taipa e Colinas do Sul,
que são marcadas por disputas
de facções que amedrontam a
população. Estamos sempre
com ações intensivas nesses
locais”, afirmou.
O comandante da UPS do
Geisel reconheceu que na última terça-feira teve um tiroteio
no Citex e que, depois disso, a
população ficou mais temerosa. Ele confrontou, contudo,
informações de que haveria
toque de recolher no bairro, re-
velando que isso não passou de
“terrorismo de whatsapp”. Ele
reiterou que essas comunidades são difíceis de se trabalhar
por conta da falta de infraestrutura existente no local. “Estou à
frente da UPS há um ano e meio
e essas localidades enfrentam
muitos problemas sociais. Sujeira, falta de calçamento, esgoto a céu aberto, à noite é uma
escuridão. Tudo isso dificulta
nosso trabalho, favorece a criminalidade e é atrativo para os
criminosos”, ressaltou.
Apesar do medo no rosto
dos moradores dessa localidade, o comandante assegura que
a situação está sob controle e
que, dia e noite, estará presente
para garantir a segurança realizando rondas e abordagens,
uma das quais ocorreu durante
a visita da reportagem ao local.
“Isso era o que a gente estava
precisando”, completou uma
moradora.
Entenda o caso.
Na última terça-feira, moradores do bairro do Citex gravaram
um áudio de barulhos de tiros,
informando a polícia sobre um
tiroteio que estava ocorrendo
no local. Segundo relatos de
moradores, 10 homens com capacete e munidos com armas
de grosso calibre invadiram a
comunidade e iniciaram o confronto com membros de outra
gangue. O grupo armado, conforme a polícia, saiu do bairro
do Grotão, da Rua do Arame.
Dois adolescentes foram acidentalmente atingidos pelos tiros enquanto lanchavam, foram
socorridos e passam bem. Lide-
ranças comunitárias da região,
que não quiseram se identificar por medo de represálias de
grupos rivais, informaram que a
disputa pelo domínio do tráfico
de drogas envolve as comunidades do Citex, Nova República
e o bairro do Grotão. O que estaria ocorrendo é que traficantes do Grotão querem assumir
o controle da venda de drogas
no Citex. A informação não foi
confirmada pelas polícias.
