Temendo serem barrados
pela Lei Ficha Limpa, lideranças com condenações em tribunais de Justiça ou de Contas
vão lançar aliados nas eleições
do próximo ano para manter ou
reconquistar o poder. O Plano
B inclui filhos, mulheres, sobrinhos e afilhados. Os “reservas” já
estão se preparando para entrar
em campo para a disputa.
No Sertão, a ex-prefeita Flávia Galdino, que governou o
município de Piancó por dois
mandatos, lançou o filho, o advogado Daniel Galdino (PSD).
Flávia Galdino administrou
Piancó de 2005 a 2008 e de
2009 a 2012. Dos oito exercícios financeiros julgados pelo
Tribunal de Contas do Estado,
sete foram reprovados, igual-
mente com imputação de débitos significantes e aplicação
de multas, totalizando mais
de R$ 6 milhões. Ela também
foi condenada no Mutirão da
Improbidade Administrativa.
Com tantas condenações, ela
dificilmente teria a candidatura deferida pela Justiça Eleitoral.
Daniel tem DNA político. Além
de seguir os passos da mãe, ele
é neto do saudoso Gil Galdino, prefeito por três mandatos
daquela cidade e vai enfrentar o atual prefeito Sales Lima
(DEM), postulante à reeleição.
Em Aroeiras, no Cariri, o
ex-prefeito Gilseppe de Oliveira (PMDB) também pode
enfrentar problemas para viabilizar sua postulação. Além
de contas rejeitadas, ele foi
condenado no Mutirão da Improbidade Administrativa, ficando com direitos políticos
suspensos por oito anos,
mas recorreu da decisão
ao Tribunal de Justiça. Se
for barrado pela Lei Ficha
Limpa, Gilseppe
deverá lançar
a esposa, Nadja
Braga Oliveira,
para enfrentar nas
urnas o atual gestor,
Mylton Domingues
(PSDB). A Lei Ficha
Limpa já atingiu os
pais de Oliveira e Mylton. Os ex-prefeitos de
Aroeiras, respectivamente,
Gilberto Bezerra Oliveira e Francisco Marques, estão inelegíveis
pela prática de improbidade.
Em Fagundes, no Agreste,
o ex-prefeito Gilberto Dantas
(PMDB) já colocou a candidatura do seu filho, Artur Dantas,
na rua. O embate será contra o
atual prefeito José Pedro (PSB).
Gilberto foi prefeito oito anos
e teve seis contas rejeitadas,
além de cinco condenações no
Mutirão da Improbidade. No Curimataú, o ex-prefeito
Alberto Nepomuceno, de Barra de Santa Rosa, lançou o filho Neto Nepomuceno (DEM)
na disputa contra o atual gestor Fábio Dutra Silva (PR), que
concorrerá a um novo manda-
to. Em Santa Rita, no Litoral
paraibano, o ex-prefeito Marcus
Odilon (PSC), se for barrado
pela Lei Ficha Limpa, deverá
lançar o filho ex-deputado Flaviano Quinto para prefeito.
Em Sousa, no Sertão, o ex-
-prefeito João Estrela (PDT)
deverá indicar a filha Johanna
Estrela (PDT), para concorrer
ao cargo de vice-prefeita na
chapa da oposição, encabeçada por Fábio Tyrone (PSB).
Em Lagoa Seca, o ex-prefeito
Edvardo Herculano (PSD) lançará a esposa, Dalva Lucena
Herculano (PSD), a um cargo
majoritário.
Outros gestores barrados
na Lei Ficha Limpa que devem
lançar parentes são José da
Costa Maranhão (Borborema),
Sabiniano Fernandes de Medeiros (Paulista), Damião Zelo
Gouveia Neto (São Vicente do
Seridó), José Ivanildo Barros
Gouveia (Soledade), Josinaldo
Vieira da Costa (Cubati), José
Benício de Araújo (Pilar), Nivaldo Lima de Oliveira (Serra
Redonda) e Damísio Mangueiras da Silva (Triunfo).
JUIZ DIZ QUE HERDEIROS POLÍTICOS REPRODUZEM OS MESMOS VÍCIOS...
O juiz Aluízio Bezerra Filho, coordenador do Mutirão
da Improbidade Administrativa no âmbito do Tribunal de
Justiça da Paraíba, disse que
muitos políticos lançados por
parentes repetem os mesmos
vícios dos seus “tutores” no
que respeita aos desvios de
recursos públicos quando são
eleitos prefeitos municipais.
“Ao longo dos anos, percebemos que políticos inelegíveis lançam parentes na volúpia de usufruir o bem público
e prosseguir o domínio político no município. No entanto,
muitos herdeiros políticos são
eleitos, assumem os cargos públicos, se arvoram do poder e
praticam os mesmos vícios de
improbidade administrativa
dos antecessores”, assinalou o
magistrado.
Para Bezerra, prefeituras e
Câmaras de Vereadores, em
vários municípios, são trans-
formadas em condomínios de
maus feitores. “Se você verificar semanalmente as decisões
do Tribunal de Contas do Esta-
do e da União, percebe quanto
recurso público é desviado da
educação, saúde, habitação e
outras áreas sociais. Isso é im-
probidade”, assinalou.
O magistrado ressaltou que
o Tribunal de Justiça da Paraí-
ba está cumprindo o seu papel
de julgar e condenar os agentes públicos. Em três anos,
Aluízio Bezerra estima que
mais de 600 gestores, servidores públicos e empresários foram condenados em primeira
instância no Mutirão da Meta
4 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Aluízio ainda explicou que
as penalidades previstas em
lei para casos de improbidade
são a perda de cargo público,
aplicação de multa civil, suspensão dos direitos políticos e
proibição de contratar com o
Poder Público. “São medidas
fortes que afastam o agente
político da vida pública, o que
vai repercutir também na Lei
da Ficha Limpa”, destacou
Jornal da Paraíba
