quarta-feira, novembro 04, 2015

Na Paraíba: Fichas-sujas preparam sucessores para 2016.

Temendo serem barrados pela Lei Ficha Limpa, lideranças com condenações em tribunais de Justiça ou de Contas vão lançar aliados nas eleições do próximo ano para manter ou reconquistar o poder. O Plano B inclui filhos, mulheres, sobrinhos e afilhados. Os “reservas” já estão se preparando para entrar em campo para a disputa. No Sertão, a ex-prefeita Flávia Galdino, que governou o município de Piancó por dois mandatos, lançou o filho, o advogado Daniel Galdino (PSD). Flávia Galdino administrou Piancó de 2005 a 2008 e de 2009 a 2012. Dos oito exercícios financeiros julgados pelo Tribunal de Contas do Estado, sete foram reprovados, igual- mente com imputação de débitos significantes e aplicação de multas, totalizando mais de R$ 6 milhões. Ela também foi condenada no Mutirão da Improbidade Administrativa. Com tantas condenações, ela dificilmente teria a candidatura deferida pela Justiça Eleitoral. Daniel tem DNA político. Além de seguir os passos da mãe, ele é neto do saudoso Gil Galdino, prefeito por três mandatos daquela cidade e vai enfrentar o atual prefeito Sales Lima (DEM), postulante à reeleição. Em Aroeiras, no Cariri, o ex-prefeito Gilseppe de Oliveira (PMDB) também pode enfrentar problemas para viabilizar sua postulação. Além de contas rejeitadas, ele foi condenado no Mutirão da Improbidade Administrativa, ficando com direitos políticos suspensos por oito anos, mas recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça. Se for barrado pela Lei Ficha Limpa, Gilseppe deverá lançar a esposa, Nadja Braga Oliveira, para enfrentar nas urnas o atual gestor, Mylton Domingues (PSDB). A Lei Ficha Limpa já atingiu os pais de Oliveira e Mylton. Os ex-prefeitos de Aroeiras, respectivamente, Gilberto Bezerra Oliveira e Francisco Marques, estão inelegíveis pela prática de improbidade. 

Em Fagundes, no Agreste, o ex-prefeito Gilberto Dantas (PMDB) já colocou a candidatura do seu filho, Artur Dantas, na rua. O embate será contra o atual prefeito José Pedro (PSB). Gilberto foi prefeito oito anos e teve seis contas rejeitadas, além de cinco condenações no Mutirão da Improbidade. No Curimataú, o ex-prefeito Alberto Nepomuceno, de Barra de Santa Rosa, lançou o filho Neto Nepomuceno (DEM) na disputa contra o atual gestor Fábio Dutra Silva (PR), que concorrerá a um novo manda- to. Em Santa Rita, no Litoral paraibano, o ex-prefeito Marcus Odilon (PSC), se for barrado pela Lei Ficha Limpa, deverá lançar o filho ex-deputado Flaviano Quinto para prefeito. 

Em Sousa, no Sertão, o ex- -prefeito João Estrela (PDT) deverá indicar a filha Johanna Estrela (PDT), para concorrer ao cargo de vice-prefeita na chapa da oposição, encabeçada por Fábio Tyrone (PSB). Em Lagoa Seca, o ex-prefeito Edvardo Herculano (PSD) lançará a esposa, Dalva Lucena Herculano (PSD), a um cargo majoritário. Outros gestores barrados na Lei Ficha Limpa que devem lançar parentes são José da Costa Maranhão (Borborema), Sabiniano Fernandes de Medeiros (Paulista), Damião Zelo Gouveia Neto (São Vicente do Seridó), José Ivanildo Barros Gouveia (Soledade), Josinaldo Vieira da Costa (Cubati), José Benício de Araújo (Pilar), Nivaldo Lima de Oliveira (Serra Redonda) e Damísio Mangueiras da Silva (Triunfo).

JUIZ DIZ QUE HERDEIROS POLÍTICOS REPRODUZEM OS MESMOS VÍCIOS... 
O juiz Aluízio Bezerra Filho, coordenador do Mutirão da Improbidade Administrativa no âmbito do Tribunal de Justiça da Paraíba, disse que muitos políticos lançados por parentes repetem os mesmos vícios dos seus “tutores” no que respeita aos desvios de recursos públicos quando são eleitos prefeitos municipais. “Ao longo dos anos, percebemos que políticos inelegíveis lançam parentes na volúpia de usufruir o bem público e prosseguir o domínio político no município. No entanto, muitos herdeiros políticos são eleitos, assumem os cargos públicos, se arvoram do poder e praticam os mesmos vícios de improbidade administrativa dos antecessores”, assinalou o magistrado. Para Bezerra, prefeituras e Câmaras de Vereadores, em vários municípios, são trans- formadas em condomínios de maus feitores. “Se você verificar semanalmente as decisões do Tribunal de Contas do Esta- do e da União, percebe quanto recurso público é desviado da educação, saúde, habitação e outras áreas sociais. Isso é im- probidade”, assinalou. O magistrado ressaltou que o Tribunal de Justiça da Paraí- ba está cumprindo o seu papel de julgar e condenar os agentes públicos. Em três anos, Aluízio Bezerra estima que mais de 600 gestores, servidores públicos e empresários foram condenados em primeira instância no Mutirão da Meta 4 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Aluízio ainda explicou que as penalidades previstas em lei para casos de improbidade são a perda de cargo público, aplicação de multa civil, suspensão dos direitos políticos e proibição de contratar com o Poder Público. “São medidas fortes que afastam o agente político da vida pública, o que vai repercutir também na Lei da Ficha Limpa”, destacou
Jornal da Paraíba