Não saber ler nem escrever faz com que muitas pessoas tenham o acesso a um emprego dificultado. Não conseguir decodificar letras e nem mesmo entender o que está escrito em um ônibus é uma realidade vivida por muitos paraibanos. Conforme o estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – Brasil 2010 (ISD), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), a Paraíba tem o terceiro menor índice de pessoas maiores de 15 anos alfabetizadas. Os dados são referentes ao ano de 2008 e revelam que apenas 76,5% dos paraibanos com mais de 15 anos sabem ler e escrever.Segundo o IBGE, a realidade é pior entre os homens, onde apenas 73,7% são alfabetizados (enquanto que as mulheres são 79,1%) e entre os negros e pardos, grupo em que apenas 72,9% dos maiores de 15 anos são alfabetizados. As únicas taxas de alfabetização menores que a da Paraíba são a do Piauí (75,7%) e a de Alagoas (74,3%).
Um outro dado preocupante revelado pelo ISD é a quantidade média de anos de estudo das pessoas com 25 anos ou mais. Com média de 5,4 anos de estudo por pessoa, a Paraíba ocupa o terceiro lugar nacional entre os Estados em que menos tempo é dedicado à escola. Entre as mulheres, a média de anos estudados é 5,7, enquanto que entre os homens é de 5,1. Com relação à cor da pele, as pessoas brancas que moram na Paraíba possuem em média 6,8 anos de estudo, enquanto que os negros e pardos possuem 4,6 anos.
A secretária-executiva de Educação do Estado, Emília Freire, comentou que para tentar mudar esta realidade, além do desenvolvimento do programa de Educação de Jovens e Adultos, voltado para pessoas maiores de 19 anos que ainda não concluíram o Ensino Básico, também estão sendo desenvolvidos programas de combate à evasão escolar entre crianças e adolescentes. “O carro-chefe do combate ao analfabetismo é o Programa Brasil Alfabetizado. Além disto, estamos prestando uma melhor assistência às crianças e nos esforçando para melhorar a qualidade do ensino, para assim melhorar estes índices”, comentou a secretária, acrescentando que o Estado desenvolve um programa permanente de capacitação de professores.
Emília Freire salientou ainda que uma outra iniciativa para tentar melhorar a realidade da Educação na Paraíba é o investimento na melhoria do transporte escolar. “O transporte escolar é muito importante para diminuir a evasão, principalmente na zona rural, porque facilita o acesso do aluno à escola”, acredita.
Levando em consideração a escolarização de acordo com a faixa etária, o pior índice está entre as pessoas com idades entre 20 e 24 anos, seguindo a tendência nacional. A taxa é de 23,3% de escolarização. Por outro lado, entre as crianças com cinco e seis anos, a taxa de escolarização é de 93,3%, figurando como a 4ª melhor média do país e podendo apontar para uma tendência de, a longo prazo, a realidade de analfabetismo na Paraíba ser mudada.
Entre as crianças com idades entre 7 e 14 anos a taxa de escolaridade é de 97,9%. Na faixa etária de 15 a 17 anos, o índice é de 79,7%, a segunda pior do país. Já para quem tem entre 18 e 19 anos, o percentual de escolarização é de 49,8%.
Acesso à internet
O estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, em 2008 (ano-base da coleta de dados deste item da pesquisa), o acesso a computador ligado à internet fazia parte da realidade de 12,2% dos domicílios na Paraíba, bem abaixo da média nacional que é de 23,8%.