Tudo bem: se teve servidor que não gostou do reajuste anunciado pelo governador Ricardo Coutinho, não há o que se discutir. Agora, ouvir o ex-governador José Maranhão criticar, em entrevista transmitida por emissora de rádio, o aumento dizendo que foi um “escárnio” com o funcionalismo público um reajuste abaixo da inflação é um deboche metalingüístico.
Escárnio é ouvir Maranhão, que passou por três governos sem nunca ter falado em aumento pra o servidor, dizer isso.
Mesmo odiando Ricardo Coutinho, o servidor público paraibano efetivo tem a exata consciência de que Maranhão é a última pessoa do mundo a ter legitimidade para criticar um reajuste dado por quem quer que seja.
Maranhão foi governador de 1995 a 2002 sem dar um centavo de reajuste ao servidor público. Quem for vivo, que diga o contrário. Somente no segundo turno do terceiro governo, em meio a uma greve dos pobres e poucos defensores públicos e a iminência da derrota, encenou a concessão de aumento astronômico aos policiais, como se quisesse apagar anos e anos de esquecimento.
Não colou. Tanto que perdeu. Foi o servidor público que teve a oportunidade de dizer não a Maranhão depois de ter ouvido dele não por quase dez anos. Esse mesmo servidor pode até dizer não pra Ricardo Coutinho também. Mas não será, certamente, por vontade de ter Maranhão de novo como patrão.
Agora eu sei porque o ex-governador, apesar de ter 75 anos, tem poucas rugas no rosto. É mais difícil criar sulcos numa cara de pau.
Luís Tôrres
