Na Paraíba, ingressar no quadro funcional das polícias Militar ou Civil virou um caso de justiça. Além de fazer concurso, os interessados são obrigados a travar uma batalha judicial para conseguirem ser chamados para as corporações. Enquanto isso, o índice de mortes violentas cresce fazendo, em média, 666,5 vítimas por ano no Estado. São quase dois homicídios por dia.Linda, jovem, bem sucedida e cheia de sonhos para realizar. Assim era a empresária Ana Maria Gonçalves Abrantes antes de ser brutalmente assassinada em frente ao salão de beleza que frequentava. Ana foi mais uma a entrar na triste estatística da crescente violência na Paraíba que faz, em média, 666,5 vítimas de homicídios por ano, quase dois por dia, e transforma a sociedade em refém do crime.
Em dez anos o número de assassinatos praticados cresceu 75,4% e fez com que o Estado ficasse em 16º lugar no ranking dos mais violentos na frente, inclusive, de São Paulo que aparece em 26º no Mapa da Violência do Brasil 2010.
De acordo com o levantamento feito pelo Instituto Sangari, em 1997 foram registrados 491 assassinatos na Paraíba. Esse número passou para 861, em 2007, o que fez o Estado sair de 19º no ranking dos estados mais violentos para 16º.
Os jovens entre 15 e 25 anos foram as principais vítimas. Em 1997, 148 jovens nessa faixa etária morreram assassinados contra 318, em 2007, o que representa um crescimento de 114,9%.
Os homens são os que mais morrem vítimas de assassinatos. Foram 790 homens mortos, em 2007, ou seja, 92% do total. Entre as mulheres o número de homicídios foi de 69, o que representa 8%.
A Capital paraibana vive uma situação ainda pior. Os dados revelam que João Pessoa saiu de 16ª para a 4ª Capital mais violenta do país ficando a frente de capitais como Rio de Janeiro (14º) e São Paulo (26º). Ao todo, em 1997, João Pessoa registrou 187 homicídios contra 387, em 2007. Um crescimento de 107%.
A faixa etária dos 15 aos 25 anos mais uma vez aparece como a categoria com maior número de vítimas. Foram 66, em 1997, contra 157, em 2007. Um crescimento de 137,9%.
Assim como no Estado, a Capital teve como as principais vítimas de homicídios os homens. Ao todo, 297 foram assassinados, representando 93,4% do total de mortos. Entre as mulheres foram 21 homicídios, significando 6,6%.